Na Mira

Com direito ao voto mantido, "advogata do tráfico" abriu votação no Complexo Penitenciário da Papuda, seguida pelo banqueiro Daniel Vorcaro

Carlos Carone

06/10/2026 16:06

Reprodução

Em um dia marcado pelo exercício da cidadania em meio ao cumprimento de medidas cautelares e prisões preventivas, a advogada Jéssica Castro de Carvalho, 30 anos, conhecida no meio policial como a “advogata do tráfico”, tornou-se a primeira detenta a votar na zona eleitoral instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, no último domingo (4/10).

A advogada está custodiada nas dependências do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a “Papudinha”. Ela exerceu seu direito constitucional logo nas primeiras horas de votação, sob forte esquema de segurança organizado pela Polícia Penal e pela Justiça Eleitoral.

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Logo em seguida, no mesmo local e utilizando a mesma seção adaptada para internos provisórios que mantêm os direitos políticos ativos, votou o banqueiro Daniel Vorcaro. A passagem de ambos pela urna eletrônica da simbolizou o cumprimento das regras eleitorais para presos sem condenação transitada em julgado.

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Advogada também é fisiculturista
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Jessica Carvalho, 30 anos
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Atendimento na cadeia
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Sendo batizada
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Postagem nas redes sociais
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Moção de louvor
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Prisão da “advogata”
A trajetória profissional e pessoal da advogada Jéssica Castro de Carvalho, de 30 anos, ruiu em 13 de novembro, quando foi abordada por policiais militares do 20º BPM e do Patamo na região do Paranoá. A prisão em flagrante revelou um contraste definitivo entre a imagem de jurista bem-sucedida e atleta fitness que ostentava na internet e a realidade das investigações de envolvimento com o crime organizado local.
Nas redes sociais, onde reúne mais de 1.500 seguidores, Jéssica se apresentava como uma profissional altamente qualificada, alegando possuir sete especializações acadêmicas, com ênfase na Lei de Drogas e na Lei Maria da Penha. Suas publicações dividiam espaço entre a rotina nos tribunais, visitas institucionais a delegacias da Polícia Civil, momentos religiosos em batizados, mensagens de fé e a intensa rotina de treinos para campeonatos de fisiculturismo.
Abordagem e arsenal
A postura confiante exibida online deu lugar às lágrimas quando os policiais interceptaram o carro da advogada. Durante a vistoria no veículo, as equipes do 20º BPM e do Patamo encontraram um verdadeiro kit de abastecimento de armas e entorpecentes:
- 1 pistola Glock G19, calibre 9 mm, equipada com carregador de capacidade estendida;
- 26 munições calibre 9 mm;
- 5 munições calibre .380;
- Porções de pó branco (com características semelhantes à cocaína);
- Tabletes de substância entorpecente prensada;
- Saco plástico com diversos comprimidos roxos que aparentam ser ecstasy;
- 1 caderno/agenda de anotações roxo, contendo registros e manuscritos diversos;
- Passaporte brasileiro
A suspeita chorou durante o procedimento de contenção e foi conduzida à 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), responsável por instaurar o inquérito e conduzir as investigações sobre a origem dos materiais.
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Foto na Polícia Civil
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Dentro de uma igreja, em um culto
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Em um julgamento
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Advogada presa por tráfico
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Clube de tiro
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Clube de tiro
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Conexão com Comboio do Cão
A apuração policial indica que o envolvimento de Jéssica ultrapassava o transporte casual de ilícitos. A advogada é apontada pelas forças de segurança como namorada e aliada de um integrante do Comboio do Cão (CDC) — uma das facções criminosas mais violentas e estruturadas do Distrito Federal, conhecida por controlar pontos de venda de drogas, praticar homicídios encomendados e atuar no tráfico de armas.
A Polícia Civil do DF prossegue com os desdobramentos da investigação para mapear se Jéssica utilizava o status e as prerrogativas da advocacia para facilitar o fluxo de informações, armas e entorpecentes para a organização criminosa, alavancando as atividades do grupo dentro e fora dos presídios da capital.


