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No 'day after' do 1º turno, Ibovespa salta 7,7%, aos 206 mil pontos, e dólar tem queda de 4%, a R$ 5

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Lula e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turndo — Foto: Mauro Pimentel/AFP e Evaristo Sá/AFP

O mercado financeiro reagiu de maneira expressiva à dianteira de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais no último domingo, bem como ao crescimento do principal partido de oposição no Congresso. A perspectiva de maior chance de um ajuste fiscal a partir de 2027 fez a Bolsa ter o maior salto diário em seis anos e meio, enquanto o dólar registrou a maior queda em um único dia desde junho de 2018. Os juros futuros, que sinalizam as tendências futuras da Taxa Selic e da inflação, tiveram forte desvalorização.

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Antes da abertura do mercado local, um fundo negociado na Bolsa de Nova York que simula o desempenho de companhias brasileiras deu o tom do dia, ao saltar 12%.
O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou com valorização de 7,7%, atingindo o patamar recorde de 206.912 pontos, puxado pelo setor bancário e por empresas que se beneficiam de um cenário de juro menor, como varejistas. As companhias do Ibovespa ganharam R$ 400 bilhões em valor de mercado, alcançando R$ 5,256 trilhões.
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O volume financeiro chegou aos R$ 79,2 bilhões, bem acima da média diária no ano, de R$ 20,4 bilhões.
Indicadores mercado — Foto: Criação O Globo
Já o dólar comercial fechou em queda de 4,12%, a R$ 5. Entre as 31 moedas mais negociadas do mundo, o real teve a maior valorização frente à divisa americana. Para o banco americano Morgan Stanley, com um ajuste fiscal o dólar pode recuar a R$ 4,50 em 2027.
O dólar turismo recuou 4,25%, a R$ 5,19, e o euro turismo cedeu 4,58%, a R$ 5,83, conforme o Valor Data. Nas casas de câmbio consultadas pelo GLOBO, o dólar turismo registrou quedas entre 3% e 4%.
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Entre as varejistas, o Magazine Luiza saltou 24,18%, e a C&A avançou 19,7%. No setor bancário, de forte peso no Ibovespa, o BTG Pactual subiu 22,5%, e o Itaú, 10,37%. A Petrobras avançou 6,68% (ON) e 8,19% (PN). Já empresas exportadoras, que têm receita em dólar, recuaram: Embraer e Suzano fecharam em queda de 3,3% e 5,4%, respectivamente.
Racional vem depois
Na avaliação do ex-diretor do Banco Central Fabio Kanczuk, a reação do mercado financeiro reflete, diante do avanço da oposição, a chance maior de um ajuste nas contas públicas a partir de 2027:
— O movimento forte, de início, de festa, é esperado, é o livro-texto. E depois, numa segunda fase, começa a ter uma análise racional: “Como ele vai consertar isso?” Não há nada claro sobre o que poderá ser feito, mas a reação simboliza que pode ser difícil, mas que há mais chances de um ajuste ser realizado.
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Em que pese o fato de os gestores avaliarem Flávio como um candidato favorável a um ajuste fiscal mais forte pelo lado do corte de gastos, o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, retirou precatórios da meta fiscal — uma conta que ficou para a administração seguinte — e ampliou as despesas às vésperas da eleição de 2022.
Segundo Alexandre Sant’Anna, cogestor de renda variável da ARX Investimentos, o movimento de ontem foi catalisado pelo investidor estrangeiro, que “é o primeiro a comprar mudanças de cenário”. O avanço do PL tanto no Senado como na Câmara, avalia, pode facilitar a aprovação de um ajuste mais firme:
— Há pautas prioritárias do grupo, mas o ajuste se torna mais fácil tendo a maioria no Congresso, onde Flávio pode encampar temas duros e relevantes sem grandes traumas, mesmo que haja algum esvaziamento.
Para Sant’Anna, a governabilidade de um eventual novo governo Lula (PT) dependerá de propostas com as quais o Congresso se identifique:
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— Não consigo imaginar, por exemplo, um programa de aumento de impostos sendo aprovado.
A relação entre a dívida pública e o PIB saiu de 71,7% em 2023 para 82,5% em agosto passado, um salto de onze pontos percentuais. Quanto maior essa relação, maior o “prêmio” requisitado pelos investidores para refinanciar a dívida do país. O otimismo contaminou o mercado de juros, cujas taxas recuaram mais de um ponto percentual.
Para janeiro de 2028, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) caiu de 13,69%, na sexta-feira, para 12,65%. Para janeiro de 2030, cedeu de 13,92% para 12,70%.
Alívio nos juros
O mercado passou a projetar a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13% em dezembro (hoje está em 13,75%). Devido à forte oscilação no mercado de juros, o Tesouro Nacional interrompeu as negociações para pessoa física pela plataforma Tesouro Direto. À tarde, com a retomada, as taxas dos papéis que corrigem a inflação futura sofreram forte reajuste para baixo.
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— O Brasil tem trabalhado em um nível de juros reais desde 2022 muito alto e fora do padrão por conta de uma política fiscal expansionista. E a Taxa Selic estava funcionando como um freio dessa política. Com a expectativa de direcionamento da política fiscal, é natural ver uma descompressão do prêmio de risco na curva de juros — diz Milena Landgraf, chefe de investimentos da Jubarte Capital.
O recuo nos juros tende a aliviar o balanço das empresas, ressalta Milena. Isso porque, com a redução do custo da dívida, sobram mais recursos para retorno aos acionistas e investimentos. Juros mais baixos também tendem a aquecer a economia.
O banco americano JPMorgan, que em agosto havia retirado a recomendação de compra para papéis brasileiros, voltou a recomendá-los e disse ver espaço para valorização de até 25% nos próximos 12 meses. Para os analistas do suíço UBS, um ajuste fiscal crível e a consequente redução dos juros poderiam levar o Ibovespa a uma valorização de mais 30% nos próximos meses.
Já o BTG Pactual projeta alta de até 45% nos próximos 12 meses se as ações retornarem à média histórica da Bolsa brasileira.
O cenário local segue favorável mesmo com a crise de liquidação dos títulos soberanos no exterior, por questões fiscais nas principais economias, diz Kanczuk. Os investidores têm cobrado taxas cada vez maiores para financiar os governos. Ontem, os rendimentos do título de 30 anos nos EUA registraram máximas que não eram vistas desde 2002, enquanto o papel francês de 10 anos voltou ao patamar de 2008, na crise financeira global.
*(Colaborou Bia Leão, estagiária sob a supervisão de Luciana Rodrigues)
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