Manoela Alcântara

Vorcaro prestou seu terceiro depoimento à PF em investigação que trata de supostas operações fraudulentas no BRB em negociação com o Master

Manoela Alcântara
15/10/2026 20:32
Material cedido Metrópoles
Em quase 4 horas de depoimento à Polícia Federal, o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou fraude de R$ 12 bilhões no Banco de Brasília (BRB). Disse ainda que a Operação Compliance Zero ocorreu de forma “açodada” e envolveu a “instituição num enredo falso de suposta fraude bilionária, abalando a confiança indispensável para regular funcionamento de um banco”.
Nesta quinta-feira (15/10), Vorcaro participou de sua terceira oitiva prestada no âmbito dos inquéritos policiais que envolvem as investigações sobre as negociações apontadas como fraudulentas para que o BRB comprasse o Banco Master. Segundo a defesa de Vorcaro, o banqueiro respondeu às perguntas dos investigadores de forma colaborativa.
Para os advogados, “decorrido quase um ano desde o início das apurações, as investigações demonstram categoricamente que a versão inicial divulgada não se sustenta no plano factual ou jurídico”.
Em nota, a defesa de Vorcaro afirma que não houve fraude R$ 12 bilhões no BRB e que não há comprovação disso. “O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído, nem gerou qualquer prejuízo ao BRB ou a seus clientes. Ao contrário do que se especulou, a troca de ativos realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília”, afirmou o banqueiro em seu depoimento à PF.
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A defesa de Daniel Vorcaro ainda afirmou que apresentará, nesta sexta-feira (16/10), contestação na esfera cível e “pedirá a realização de perícia a fim de sepultar definitivamente a narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo”.
Prisão
Daniel Vorcaro cumpre prisão preventiva desde 4 de março deste ano. Em junho, ele foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local conhecido como Papudinha, em Brasília. A delegada responsável pelo caso foi até o local para ouvir o ex-banqueiro. Os outros depoimentos do banqueiro vinham sendo prestados por videoconferência.
A PF deflagrou a Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, para apurar a compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Master supostamente falsas.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril deste ano. Ele é suspeito de receber propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor executivo financeiro e de controladoria do BRB também foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da Compliance Zero. Ele foi afastado do cargo em novembro de 2025.
Aumento de capital
Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF destacou que, em outubro de 2024, em troca de mensagens com Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa, manifestou preocupação com a repercussões no mercado sobre o aumento de capital do BRB para comprar o Master e enfatizou a necessidade de “dar sinais ao mercado”.
As mensagens são trocadas em proximidade temporal com a autorização, pelo acionista controlador, do aumento de capital de R$ 750 milhões já submetido ao Conselho de Administração.
Para a Polícia Federal, o conjunto dos elementos indica que, já em outubro de 2024, a aquisição e a integração do Master ao BRB estavam definidas no plano estratégico decisório, com o aumento de capital e o desenho acionário funcionando como etapas preparatórias para a consolidação futura.
Segundo as investigações, após o ingresso do grupo Master na base acionária do BRB, o banco passou a adquirir, “em volume expressivo, carteiras de crédito, instrumentos estruturados e outros ativos originados do próprio grupo investidor, totalizando bilhões de reais em operações concentradas em curto intervalo temporal”.
“Tal dinâmica evidencia circularidade econômica e dependência financeira artificialmente construída, criando incentivo direto para internalização de ativos de maior risco, com impacto relevante sobre a solidez financeira da instituição pública”, diz trecho do relatório da PF enviado ao STF.


