Belo Horizonte — A disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela presidência coloca dois deputados mineiros no centro da guerra digital do segundo turno. De um lado, André Janones (Rede-MG) comanda um canal no WhatsApp que ultrapassou 3,7 milhões de seguidores. Do outro, Nikolas Ferreira (PL-MG), reeleito com 3,1 milhões de votos, tornou-se um dos principais mobilizadores da campanha bolsonarista nas redes sociais.Os dois cumprem funções semelhantes, embora atuem por métodos diferentes. Janones está apostando na comunicação direta e fechada do WhatsApp para distribuir conteúdos e coordenar apoiadores de Lula. Nikolas usa principalmente redes abertas, como o Instagram, onde investe em vídeos e publicações com grande capacidade de repercussão para mobilizar a direita e amplificar as mensagens de Flávio.Nesta segunda (12/10), Nikolas postou um vídeo com crianças criticando o presidente Lula (PT), o que já mobilizou a esquerda.4 imagensFechar modal.1 de 4André Janones (Rede-MG)Reprodução/Redes sociais2 de 4Nikolas comanda a "Tropa do Flávio"Reprodução3 de 4André Janones e LulaReprodução/Facebook/André Janones4 de 4Nikolas FerreiraHUGO BARRETO / METRÓPOLES@hugobarretophotoO “exército” de JanonesA operação de Janones ganhou escala durante o segundo turno. O canal “Exército do Lula” saiu de aproximadamente 50 mil para mais de 3 milhões de seguidores em poucos dias. O crescimento levou a campanha de Flávio a criar a própria estrutura no aplicativo, batizada de “Tropa do Flávio” e comandada justamente por Nikolas.Além de distribuir peças de campanha, o canal conduzido por Janones adota linguagem mais informal e combativa do que os meios oficiais do PT.O avanço do “Exército do Lula” provocou uma disputa judicial. A campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a retirada do canal do ar sob a acusação de divulgação de notícias falsas.O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão, mas o corregedor eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, autorizou posteriormente a retomada e mandou o caso ao plenário, que ainda não tem data para debatê-lo.Uma análise realizada pela área técnica do TSE não encontrou no canal as informações falsas apontadas pela campanha de Flávio. Os técnicos examinaram as publicações disponíveis entre 2 e 11 de outubro e identificaram linguagem polarizadora, mas não localizaram os conteúdos denunciados pela campanha do PL. O relatório ressalvou que algumas mensagens haviam sido apagadas. Leia também Minas GeraisCanal bate 3,7 milhões e Janones agradece Flávio após decisão do TSE Matheus LeitãoO que havia no canal de Janones que Kassio Nunes tentou calar Minas GeraisDuda Salabert aciona MP após Nikolas usar crianças em vídeo político Minas GeraisApesar de acusar Nikolas, Ana Elisa se desculpa por outros posts antigos A “tropa” de NikolasEnquanto Janones estrutura sua força em um canal fechado, Nikolas chega ao segundo turno respaldado por uma votação recorde e muito alcance nas redes. O deputado recebeu mais de 3,1 milhões de votos em Minas, mais que o dobro dos 1,47 milhão obtidos em 2022.A campanha de Flávio pretende usar esse alcance tanto em Minas quanto nacionalmente. O deputado já participou de agendas eleitorais no interior mineiro, gravou conteúdos em defesa do presidenciável e foi apresentado pelo próprio Flávio como uma de suas principais bases de apoio. A expectativa é que Nikolas intensifique as publicações e os atos na reta final.Ele também é o mobilizador da “Tropa do Flávio” no WhatsApp, uma resposta ao canal de Janones.Minas e a eleiçãoMinas ocupa lugar estratégico nessa mobilização. Flávio terminou o primeiro turno aproximadamente 600 mil votos à frente de Lula no estado. O trabalho digital de Janones e Nikolas busca alcançar especialmente eleitores pouco ligados às estruturas partidárias tradicionais.Janones e Nikolas levam para as campanhas de seus presidenciáveis a uma comunicação mais direta e menos institucional. Ao transformarem discursos eleitorais em conteúdos feitos para compartilhamento, os dois mineiros assumem o desafio de converter audiência digital em mobilização e votos no segundo turno.














