Fábia Oliveira

Em entrevista à coluna Fábia Oliveira, viúva de Lito Sousa fala sobre o luto, as críticas que recebeu e o futuro do Aviões e Músicas

Fábia Oliveira

20/10/2026 18:50

Reprodução/ Instagram

A morte de Lito Sousa, criador do canal Aviões e Músicas, deixou uma lacuna na vida de milhares de pessoas que acompanhavam seu trabalho e sua trajetória na aviação.

O influenciador morreu aos 59 anos, em 1º de outubro, após enfrentar a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurodegenerativa rara, progressiva e sem cura.

Ao longo dos últimos meses, Mila Seidl acompanhou de perto a evolução do quadro do marido, dividindo com o público atualizações sobre a saúde dele e preservando, ao mesmo tempo, a intimidade da família. Agora, diante de uma nova realidade ao lado do filho, Malone, a empresária precisa lidar com o luto e com as responsabilidades pessoais e profissionais que permanecem.

Em entrevista exclusiva à coluna Fábia Oliveira, Mila falou sobre os limites da exposição durante a doença de Lito, as cobranças de quem acompanhava a história pelas redes sociais e os julgamentos que recebeu após viajar recentemente com o filho para os Estados Unidos.

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Ela também abordou o futuro do Aviões e Músicas, projeto que ajudou a construir ao lado do marido durante quase 13 anos.
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Uma semana após a morte de Lito Sousa, viúva desabafa: "Nunca vai ser igual"
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Mila Seidl com o marido Lito Sousa.
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Lito com o filho Malone
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Mila Seidl e Lito Sousa
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Lito Sousa e Mila Seidl
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Leia a entrevista na íntegra
Durante a doença do Lito, você precisou conciliar os cuidados com ele, as necessidades do Malone e a comunicação com milhares de pessoas que acompanhavam cada atualização. Olhando para tudo o que aconteceu, como você avalia a exposição da intimidade da família em um momento tão vulnerável?
“Na verdade, eu não dividi minha atenção. Ela foi totalmente direcionada a ele. Inclusive, demoramos cerca de 30 dias para falar pela primeira vez, naquele vídeo que fiz. Já estávamos havia 30 dias passando por todo o processo de internação no hospital, e eu não dizia nada.
As pessoas perguntavam muito: “Cadê o Lito?”, “Onde que tá?”, “O que que aconteceu?”. Foi por conta dessa demanda que resolvi falar. Mesmo assim, eu não aparecia todos os dias. Dava notícias a cada 10 ou 15 dias, então não era uma atenção compartilhada.
Eu ia dando as notícias à medida que tinha algo mais concreto, até porque as pessoas também ficavam muito ansiosas. A exposição foi cuidadosamente organizada para que a gente compartilhasse apenas aquilo que achava que fazia sentido.
Existem muitas outras coisas dos bastidores que as pessoas nunca souberam e nunca saberão. Por exemplo, nunca houve uma imagem dele dentro do hospital ou em outra situação. Minha preocupação era muito grande em resguardá-lo e manter esse cuidado, até porque existia muita esperança de que ele melhorasse. Eu não queria uma energia das pessoas em cima dele relacionada a algo ruim, porque ele estava muito magro e tudo mais.
Houve todo um cuidado com essa superexposição. O que aconteceu foi que os veículos repercutiam muito as coisas que a gente postava, e isso dava a sensação de que era muita coisa, mas não era. As publicações eram bem espaçadas.”
Na busca por alternativas para o Lito, você tomou decisões difíceis e precisou lidar com opiniões de pessoas que acompanhavam a história de fora. Em algum momento, sentiu que precisava explicar demais suas escolhas para quem não conhecia toda a realidade que vocês estavam vivendo? Como foi lidar com isso?
“Sim. Em alguns momentos, foi difícil lidar com essas opiniões de fora, porque parte das pessoas buscava e cobrava muito um status diário de como ele estava, e não era algo que eu estava disposta a fazer naquele momento.
Do outro lado, havia a imprensa repercutindo muito o assunto e pessoas dizendo que a gente estava falando demais sobre isso. Na verdade, não era, né? Era realmente a imprensa repercutindo todo aquele assunto.
Não foi o mais desafiador, mas também não foi agradável ter que lidar com isso. Em algum momento, tentei me explicar, sim. Depois, larguei mão, porque havia coisas mais importantes nas quais eu precisava me concentrar.”
Depois da partida do Lito, você falou sobre a dificuldade de voltar à rotina e sobre a sensação de que uma parte de você ficou com ele. Ao mesmo tempo, existe um filho e um legado construído por vocês dois. Como você tem tentado encontrar um equilíbrio entre respeitar o seu tempo de luto e assumir as responsabilidades que continuam existindo?
“Sobre ter um equilíbrio, eu não tive a oportunidade de encontrá-lo. Gostaria muito de sumir, por exemplo, sentir tudo o que estou sentindo e não ter obrigações para cumprir. Mas, quando você tem algumas empresas e uma estrutura muito grande, as coisas demandam atenção. As pessoas não podem ficar de braços cruzados esperando que eu volte quando achar que estou melhor.
Hoje, temos mais de 100 funcionários, uma estrutura de quatro empresas e negócios para tocar. Ou eu simplesmente mandava todo mundo embora e fechava tudo, ou seguia com o propósito daquilo que tinha construído com o Lito, que era, de fato, o que ele queria.
Eu não podia perder muito esse timing, porque, em uma empresa, isso acaba virando uma bola de neve muito rápido. Então, todos os dias, acordo e venho trabalhar quando consigo, mas é sempre uma luta diária, uma luta interna comigo mesma. As pessoas olham e falam: ‘Ah, ela está trabalhando’, mas não sabem o que estou passando nos bastidores.”
Após anunciar a viagem com Malone para os Estados Unidos, você recebeu críticas nas redes sociais. Como foi lidar com esses julgamentos em um momento tão delicado, em que cada pessoa tem sua própria maneira de viver o luto?
“Eu não posso julgar o que as pessoas acham sobre eu ter ido viajar com meu filho, porque aquilo estava fazendo mal para mim e para ele. Quem está de fora não está passando pelo que a gente passou, não viveu o que vivemos e não teve a perda que tivemos. Acredito que seja mais fácil estar em uma posição de julgar do que saber aquilo que, de fato, é melhor para você.
Tenho um filho, e toda mãe quer o melhor para ele. Ele é uma criança pequena. Algo que impactou muito as nossas vidas tornou desafiador ter que seguir uma rotina que somos obrigados a manter, ao mesmo tempo que estamos cercados de memórias, mas convivemos com o vazio da pessoa que amamos.
Foi um momento de que nós dois precisávamos, principalmente porque, nesses três meses, fiquei 100% com o Lito no hospital, enquanto meu filho seguia uma rotina de escola e de vida normal. Ele ficou sem o pai, mas também ficou sem a mãe.
Era o momento de tentar me reconectar com ele e dar um pouco de segurança, mostrando que o papai não estava aqui, mas que a mãe estava ali para ele.”
O Lito construiu uma comunidade muito forte em torno do Aviões e Músicas, e você também teve um papel importante nessa trajetória, inclusive nos bastidores. Neste novo capítulo, como imagina sua relação com esse público e com os projetos que vocês construíram juntos?
“Eu e o Lito fundamos juntos o Aviões e Músicas. Quem conhece nossa trajetória mais de perto sabe que sempre estive com ele, trabalhando diretamente ao seu lado nesses últimos quase 13 anos, todos os dias.
Ocupo a cadeira de CEO das quatro empresas desde o começo. Organizo as frentes de trabalho e a parte criativa, então acredito que conheço bem a receita do bolo, porque construí, junto com ele, a cultura e a comunidade.
É óbvio que vai ser um desafio, principalmente no que diz respeito à comunicação, ao comunicador em si. Eu não sou essa pessoa, com certeza não sou. Mas, até descobrirmos quem pode ajudar, já tenho alguns planos bem estabelecidos para o futuro do canal.
Eles serão descritos em breve e publicados para todo mundo. Vamos chegando e ajustando a rota sempre que for necessário.”


