O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vem pressionando o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico. O desafio do petista ao adversário, no entanto, pode não ter o efeito esperado pela campanha de Lula, que busca uma virada para vencer as eleições.Lula falou pela primeira vez sobre o assunto no último domingo (18/10), durante o debate presidencial da TV Band. Na ocasião, o presidente desafiou o senador a abrir os sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos à Presidência da República para que a população saiba “quem é ladrão neste país”.Nessa terça-feira (20/10), o petista protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição que solicita a divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos até esta quarta-feira (21/10).O documento prevê a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula e de seus familiares referentes aos últimos oito anos. A medida, no entanto, está condicionada à adoção de providência idêntica por parte do adversário. A solicitação prevê que os dados sejam disponibilizados à população por meio da plataforma DivulgaCandContas ou de outro portal eletrônico de acesso público.7 imagensFechar modal.1 de 7Flávio Bolsonaro e Lula Renato Pizzutto/Band2 de 7Flávio Bolsonaro e presidente Lula Renato Pizzutto/Band3 de 7Debate entre Flávio Bolsonaro e Lula na BandRenato Pizzutto/Band4 de 7Flávio Bolsonaro e Lula Renato Pizzutto/Band5 de 7Flávio Bolsonaro e Lula Renato Pizzutto/Band6 de 7Flávio Bolsonaro e Lula Renato Pizzutto/Band7 de 7Lula e Flávio Bolsonaro Renato Pizzutto/Band Leia também BrasilMarçal diz que vai sugerir a Flávio abrir o sigilo se Lula divulgar gastos BrasilFlávio x Lula: saiba quando saem as últimas pesquisas antes do 2º turno Igor GadelhaCom Lula na cola, Flávio apela para seu próprio pacote de bondades Milena TeixeiraQuebra de sigilo de Lula fala só para bolha, avalia monitoramento de Flávio Quebra de sigilo inclui Janja e 5 filhos de LulaO pedido abrange tanto os candidatos quanto integrantes de suas famílias. No caso de Lula, a abertura dos sigilos inclui a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, os cinco filhos e dois netos maiores de 18 anos. Em relação ao adversário, a petição requer a divulgação dos dados do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), da mãe, dos três irmãos e da esposa.O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, foi designado relator da ação e ficará responsável pela análise da petição.Nos próximos dias, o tema deve se tornar um dos principais instrumentos da campanha petista para constranger o adversário às vésperas do segundo turno. A cobrança também deve ser abordada por Lula no debate presidencial da TV Globo, previsto para esta sexta-feira (23/10).Nas redes sociais, apoiadores do presidente têm reforçado a pressão sobre Flávio por meio de publicações e hashtags relacionadas ao assunto.Cenário eleitoralPesquisa Real Time Big Data divulgada nessa terça-feira (20/10) mostra o senador Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos na disputa pelo segundo turno da Presidência da República. O presidente Lula aparece com 48%. Ambos estão empatados tecnicamente no limite da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, e incluindo brancos, nulos e indecisos, Flávio registra 48% das intenções de voto, contra 45% de Lula. A diferença de três pontos configura empate técnico dentro da margem de erro.Em comparação com a rodada de 1º de outubro, Flávio passou de 46% para 48% das intenções de voto. Lula permaneceu com 45% no mesmo período.Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem lista de candidatos, Flávio tem 47%, enquanto Lula soma 44%. Outros 5% afirmaram que votariam em branco ou nulo, e 4% não souberam responder.Efeito da medidaApesar da petição e da pressão de Lula sobre Flávio, a iniciativa pode não produzir efeitos práticos antes da eleição.Segundo o especialista em tribunais superiores e direito penal Fábio Souto, mesmo que Flávio Bolsonaro aceitasse o desafio, seria “impossível” que a Justiça Eleitoral cumprisse a medida até o próximo domingo (25/10), data do segundo turno. Isso, porque seria necessário oficiar aos órgãos de controle para requisitar os dados sensíveis.“De outro lado, penso que o desafio proposto pelo candidato Lula pode ter forte influência eleitoreira, notadamente se o candidato Flávio permanecer silencioso sobre o tema, já que pode dar a impressão ao eleitor de que ele não quer apresentar seus dados sigilosos, enquanto o outro candidato propôs a exposição”, avalia Fábio Souto.Para a analista política da BMJ Consultoria, Raquel Alves, os efeitos políticos da abertura de sigilo, solicitada a cinco dias da eleição, devem ser limitados. Segundo ela, a iniciativa de Lula funciona principalmente como um gesto para seus apoiadores, mas também pode alcançar eleitores indecisos e moderados que consideram a corrupção um dos fatores determinantes do voto.“É importante, porque abrir, colocar os sigilos à disposição da Justiça Eleitoral e ficar aberto é um gesto que desarma o argumento de que ele [Lula] tem algo a esconder. Mas não vejo como uma bala de prata, um elemento transformador completamente do cenário para que fique favorável para ele”, disse ao Metrópoles. “A gente pode dizer que é mais um movimento do Lula na tentativa de virar votos e tentar conseguir essa vitória inédita na história do processo eleitoral”, completou a analista.

















